27 Jan

2016

ENTRE PAIS E FILHOS

A crescente dificuldade de nos relacionarmos uns com os outros tem afetado significativamente o envolvimento entre pais e filhos. Segundo Raimundo de Lima, psicólogo e educador, embora os pais de hoje sejam mais abertos ao diálogo do que seus próprios pais, apenas 34 % deles conseguem, na prática, dialogar com os filhos. Tal dificuldade tem gerado uma lacuna considerável no “anfiteatro das emoções” das nossas crianças: eles têm aprendido a “lidar com fatos lógicos, mas não sabem lidar com fracassos e falhas. Aprendem a resolver problemas matemáticos, mas não sabem resolver os seus conflitos existenciais. São treinados para fazer cálculos e acertá-los, mas a vida é cheia de contradições, as emocionais não podem ser calculadas, nem têm conta exata”. (Augusto Cury – “Pais Brilhantes, Professores Fascinantes”). 

No capítulo 6 de Efésios, o apóstolo Paulo apresenta algumas orientações imprescindíveis para pais e filhos visando à construção de relacionamentos familiares mais saudáveis. Aos filhos Paulo disse: “Obedeçam a seus pais no Senhor, pois isto é justo” - uma orientação tão atual que nos faz imaginar o apóstolo respondendo às constantes reclamações dos nossos filhos diante do dever da obediência: “Mas isto não é justo!”. A justiça por trás da obediência refere-se ao fato de que Deus investiu pais de autoridade, e a observância deste princípio lhes ajudará também no desenvolvimento da obediência aos professores, às leis, aos líderes espirituais e ao próprio Deus. 

Ainda aos filhos, Paulo disse em ressonância aos dez mandamentos: “Honra teu pai e tua mãe”. Tal acréscimo é necessário, pois nem toda obediência é seguida de honra. Certa vez, lembro-me de que rejeitei um pedido de meu filho e ele obedeceu, mas ao olhar pelo retrovisor do carro percebi que ele reagiu silenciosamente com um a série de caretas que seriam cômicas se não fossem desrespeitosas. Então parei o carro e conversei com ele sobre a importância da obediência aos pais seguida da prestação de honra. Podemos destacar também que o dever da obediência cessa, mas o da honra não. Um filho que conquistou sua autonomia, deixou a casa dos pais (geografica e financeiramente), e constituiu uma nova família continua com a responsabilidade de honrar aqueles que o criaram. O serviço às suas necessidades é intransferível. Àqueles que honram seus pais, Deus promete o bem. 

Aos pais Paulo disse: “Não irritem seus filhos”. E diferentemente do que muitos podem imaginar, o apóstolo não está se referindo aqui a longos abraços e beijos constrangedores na frente dos amigos deles. Existem outras maneiras mais contundentes de irritá-los, dentre elas: o excesso de rigor e cobranças, a ausência de parâmetros e limites e até mesmo a fixação quanto ao sucesso deles. Quem dessa maneira se comporta dá passos largos para criar filhos aborrecidos e descontentes.    

Aos pais, Paulo disse: “Criem-nos segundo a instrução e o conselho do Senhor”. Tal orientação relembra os pais de que o melhor que têm a passar aos seus filhos não está atrelado à experiência deles, mas à Palavra de Deus. Ao influenciarmos suas vidas com os ensinamentos de Deus damos a eles a oportunidade de serem formados à imagem e semelhança daquele que nos ensinou a sermos humanos, Jesus. 

Que as orientações bíblicas dadas por Paulo encontrem espaço em nossos lares e influenciem decisivamente a dinâmica entre pais e filhos a fim de que esta seja uma relação provedora de estabilidade emocional, desenvolvimento pessoal e fé.   


Renato Camargo Jr.
Pastor da Comunidade Campolim, em Sorocaba/SP (renato@comunidadecampolim.com.br).
Diretor do Centro de Treinamento para Plantadores de Igreja (CTPI - renato@ctpi.org.br).